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As Formigas de Jurucê

Por Emerson Barros de Aguiar,
escritor e Coordenador Geral do Projeto ETICAL
emerson@etical.org.br

Em Jurucê, uma pequena cidade do interior de São Paulo, na década de 1950, vivia uma linda menina que amava os animais e, particularmente, as formigas. Durante toda a sua infância, ela alimentara as formigas com parte das suas refeições. O que quer que lhe dessem para comer, ela sempre reservava um naco para as suas amiguinhas. Muitas foram as vezes em que foi repreendida por causa de seu excessivo afeto e zelo pelas formigas.
Ao completar 10 anos, foi acometida de câncer, vindo a falecer.

Grande foi a surpresa dos habitantes da cidade no momento de seu enterro, quando milhares de formigas apareceram, cada uma trazendo uma pétala de rosa. Ao passar sobre o caixão, que continha o pequeno corpo da garotinha, cada formiga deixava cair a pétala que trazia e, desse modo, em pouco tempo, todo o caixão ficou coberto de pedaços de flores...

Esta história me foi relatada por alguém que presenciou o fato, que comoveu a todos aqueles que o testemunharam.

O amor é um milagre em si mesmo. Ele sempre surpreende porque a tudo supera, inclusive, à nossa limitada compreensão tridimensional do mundo e da vida.

Ele está presente em cada fibra de nosso ser, como uma promessa de plenitude e graça. Em sua pureza e em sua luz estão os traços do Criador, que nos convida a segui-Lo em seu cuidado por todas as criaturas, por tudo o que vive, que pulsa, que vibra ou que respira. Deus, um eterno enamorado de Sua criação, oferece-se em cada partícula, em cada átomo, em cada onda, em doação e carinho a tudo e a todos.

É esse Amor Infinito que constitui profundamente todas as coisas, todos os seres, tudo o que existe. É esse o Amor Divino que cura o nosso coração quando o trespassa e o fere, nos unindo a todos os nossos irmãos, numa comunhão ecológica com tudo o que é natural e sobrenatural. Numa união com o que constitui o visível e o invisível, o tangível e o intangível, o racional e o intuitivo, o interior e o exterior, o superficial e o abissal, o baixo e o alto, o micro e o macro, o verso e o anverso, o animal e o humano, o humano e o Divino...

Será nessa unidade que encontraremos a paz. Na união trazida pelo Amor Maior, como o expresso pelas formigas de Jurucé. Naquele ato de gratidão, aqueles pequenos animais estiveram unos com a vontade de Deus, que é o gozo maior a que podemos aspirar.

O amor é a medida da nossa própria felicidade. Quanto mais cheios de amor, mais realizados, mais felizes somos. O segredo, talvez, seja não estamos tão cheios de nós mesmos, do falso amor, que é posse, ilusão e engano, mas sim plenos de Amor Divino, da força eterna de Deus, de Seu fogo e de Seu Espírito. Esse é o amor que não se perde, que não se extravia, que a tudo respeita, porque está vinculado a Deus e à Sua Divindade.

Por mais sentida que seja a poesia, por mais precisa e correta que seja a prosa, por mais que fale o coração e se esforce a mente, tudo o que podemos dizer sobre o amor é vão, pois o que falamos sobre o inefável é inútil. O que estou eu aqui escrevendo? O que pode ganhar o leitor ao me ler? Nada, possivelmente. Assim, por hoje, fique mesmo com as formiguinhas de Jurucê...

 
Publicado na Etical.org em 22/4/2006
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