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Pensando Eticamente

Pensando Eticamente: Uma Metodologia para a Tomada de Decisão Moral
Desenvolvido por Manuel Velasquez, Claire Andre, Thomas Shanks, S.J., e Michael J. Meyer

Questões morais já nos desafiam pela manhã junto com as primeiras notícias no jornal, nos testam em nossas decisões no trabalho, nos importunam vindas dos campos de futebol e nos desejam boa noite no último jornal da TV. Somos bombardeados diariamente com perguntas sobre a correção de nossas políticas públicas, a moralidade de tecnologias médicas que podem prolongar nossas vidas, os direitos dos aposentados e dos desabrigados, a imparcialidade com que os professores tratam os diversos estudantes em suas salas de aula. Freqüentemente ficamos perplexos. Como lidar com estas questões morais? Como, exatamente, devemos refletir diante de uma questão ética? Que perguntas devemos fazer? Que fatores devemos considerar? A primeira etapa na análise de questões morais é óbvia mas nem sempre fácil: comece com os fatos. Algumas questões morais criam controvérsias simplesmente porque nós não queremos nos aborrecer com a verificação dos fatos. Esta primeira etapa, embora óbvia, é também a mais importante e a mais freqüentemente negligenciada. Mas ter os fatos não é o bastante. Fatos por si mesmos só nos contam o que é; eles não nos contam o que deveria ser. Além de obter os fatos, resolver uma questão ética requer um apelo a valores. Os filósofos desenvolveram cinco abordagens diferentes aos valores para tratar com as questões morais. A Abordagem do Utilitarismo O utilitarismo foi concebido no século IXX por Jeremy Bentham e John Stuart Mill para ajudar aos legisladores a determinar quais leis eram moralmente melhores. Bentham e Mil sugeriram que as ações éticas eram aquelas que provêem a maior vantagem do bem sobre o mal. Para analisar uma questão usando a abordagem utilitarista, primeiramente nós identificamos os vários cursos ou alternativas de ação disponíveis. Em segundo, nós perguntamos quem será afetado por cada ação e quais benefícios ou prejuízos decorrerão de cada uma. Em terceiro, nós escolhemos a alternativa de ação que produzirá os maiores benefícios e o menor prejuízo. A ação ética é a que provê o maior bem para o maior número de pessoas. A Abordagem dos Direitos A segunda abordagem importante à ética tem suas raízes na filosofia do pensador do século XVIII Immanuel Kant - e de outros como ele - que focalizou o direito do indivíduo de escolher por si mesmo ou si mesma. De acordo com estes filósofos, o que faz os seres humanos diferentes de meras coisas é que as pessoas têm sua dignidade baseada em sua habilidade para escolher livremente o que farão com suas próprias vidas, e de ter essas escolhas respeitadas como um direito moral fundamental. Pessoas não são objetos para serem manipuladas; é uma violação da dignidade humana usar pessoas em formas que elas não escolheram livremente. Obviamente, existem muitos outros direitos além deste básico, mas estão a ele relacionados. Estes outros direitos (veja uma lista incompleta abaixo) podem ser pensados como aspectos diferentes do direito básico de sermos respeitados em nossas escolhas. · O direito à verdade: todos temos o direito de que nos contem a verdade e de sermos informados sobre os assuntos que afetam significativamente nossas escolhas. · O direito de privacidade: todos temos o direito de fazer, acreditar, e dizer o que quer que nós tenhamos escolhido em nossas vidas pessoais desde que não violemos os direitos dos outros. · O direito de não ser ferido: todos temos o direito de não ser prejudicado ou ferido a menos que façamos algo livremente e conscientemente que mereça castigo, ou que tenhamos escolhido livremente e conscientemente nos arriscar a tais ferimentos. · O direito ao que é acordado: todos temos o direito ao que foi prometido por aqueles com quem nós livremente tenhamos entrado em um contrato ou acordo. Ao decidir se uma ação é moral ou imoral usando esta segunda abordagem, então, devemos perguntar: “A ação respeita os direitos morais de todo o mundo?” Ações estão erradas se violam os direitos dos indivíduos; quanto mais séria a violação, mais injusta a ação. A Abordagem da Imparcialidade ou da Justiça A abordagem da imparcialidade ou da justiça à ética tem suas raízes nos ensinamentos do antigo filósofo grego Aristóteles que disse que "iguais devem ser tratados igualmente e desiguais desigualmente”. A pergunta moral básica nesta abordagem é: “Quão justa é uma ação? Trata a todos da mesma maneira, ou mostra favoritismo e discriminação?”. O favoritismo dá benefícios a algumas pessoas sem razão justificável para tal distinção; a discriminação impõe fardos a pessoas que não são em nada diferentes daqueles aos quais não são impostos os mesmos fardos. O Favoritismo e a discriminação são injustos e errados. A Abordagem do Bem-Comum Esta abordagem à ética assume uma sociedade composta de indivíduos cujo próprio bem está inescapavelmente ligado ao bem da comunidade em que vive. Os membros da comunidade estão limitados pela perseguição de valores e de objetivos comuns. O bem comum é uma noção que surgiu há mais de 2.000 anos atrás nos escritos de Platão, Aristóteles e Cícero. Pode-se definir o bem comum como “certas condições gerais que servem igualmente para a vantagem de todos" Nesta abordagem, o foco é assegurar que as políticas sociais, sistemas sociais, instituições, e ambientes dos quais todos dependemos sejam benéficos para todos. Exemplos de bens comuns para todos incluem oferta de serviços de saúde e educação pública de qualidade, segurança pública efetiva, preservação da paz entre as nações, um sistema legal justo, e um ambiente não poluído. Apelos ao bem comum incitam-nos a ver a nós mesmos como membros da mesma comunidade, refletindo sobre as amplas questões relativas ao tipo de sociedade que nós queremos nos tornar e sobre como podemos alcançar essa sociedade. Ao respeitar e valorizar a liberdade dos indivíduos para perseguir seus próprios objetivos, a abordagem do bem-comum também nos desafia a reconhecer e promover os objetivos que compartilhamos em comum. A Abordagem da Virtude A abordagem da virtude à ética assume que existem certos ideais pelos quais cada um de nós deveria se esforçar, que contribuem para o completo desenvolvimento de nossa própria humanidade. Estes ideais são descobertos por meio de uma concentrada reflexão sobre que tipo de pessoa nós temos o potencial de nos tornar. Virtudes são atitudes ou características de caráter que nos permitem ser e agir de forma a desenvolver o nosso mais alto potencial. As virtudes capacitam-nos ou habilitam-nos a perseguir os ideais que adotamos. Honestidade, coragem, amor, compaixão, generosidade, fidelidade, lealdade, integridade, justiça, autocontrole, e prudência são todos exemplos de virtudes. Virtudes são como hábitos; quer dizer, uma vez adquiridos, elas conformam o caráter de uma pessoa. Mais ainda, uma pessoa que desenvolveu virtudes estará naturalmente disposta a agir consistentemente com os princípios morais. A pessoa virtuosa é a pessoa ética. Lidando com um problema ético usando a abordagem da virtude, nós poderíamos perguntar: “Que tipo de pessoa eu deveria ser? Como devo agir? O que irá promover o desenvolvimento do meu caráter e da comunidade?”. Resolução de um Problema Ético Estas cinco abordagens sugerem que, uma vez que nós tenhamos averiguado os fatos, deveríamos fazer para nós mesmos cinco perguntas ao tentar solucionar uma questão moral (onde cada curso de ação é idêntico a uma alternativa de decisão): · Quais benefícios e quais danos cada curso de ação proposto irá produzir, e qual alternativa conduzirá às melhores conseqüências globais? · Quais direitos morais têm as pessoas ou as partes afetadas por uma determinada decisão, e qual curso de ação respeita melhor esses direitos? · Qual curso de ação trata a todos com imparcialidade, exceto onde há uma razão moralmente justificável para não fazê-lo, e sem mostrar favoritismo ou discriminação? · Qual curso de ação promove o bem comum? · Qual curso de ação desenvolve virtudes morais? Este método, naturalmente, não fornece uma solução automática aos problemas morais. Ele não se destina a isto. O método volta-se meramente para ajudar na identificação das considerações éticas mais importantes. No final, nós temos que deliberar sobre assuntos morais por nós mesmos, mantendo uma cuidadosa atenção tanto nos fatos quanto nos princípios éticos envolvidos. This article updates several previous pieces from by Manuel Velasquez - Dirksen Professor of Business Ethics at Santa Clara University and former Center director - and Claire Andre, associate Center director. "Thinking Ethically" is based on a framework developed by the authors in collaboration with Center Director Thomas Shanks, S.J., Presidential Professor of Ethics and the Common Good Michael J. Meyer, and others. The framework is used as the basis for many programs and presentations at the Markkula Center for Applied Ethics.

 
Publicado na Etical.org em 04/04/2004
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